Responsabilidade Social. Já faz algum tempo que os meios de comunicação vêm reproduzindo com certa intensidade esta expressão. Que força há por trás destas palavras, aonde as pessoas, as empresas, as organizações de um modo geral vem se envolvendo cada vez mais?
É necessário que se reveja a trajetória do ser humano e a formação das sociedades para entender um pouco melhor a extensão e a força do significado embutido no conceito de responsabilidade social. Para tanto, buscou-se apoio da obra “Responsabilidade Social: revolução de nosso tempo”, de César Busatto (2001).

Os avanços da civilização podem ser caracterizados por três grandes “saltos” dados pela humanidade ao longo de sua caminhada rumo ao progresso e à conquista de um convívio mais saudável entre as pessoas e as nações. Segundo algumas correntes de cientistas políticos, os saltos de qualidade impactaram a humanidade sob a forma de ondas, duas das quais levaram milênios para se formar. A terceira estaria em pleno andamento.

A primeira onda teria ocorrido com a revolução agropecuária, onde as mudanças ocasionaram alterações profundas na estrutura e organização dos grupos humanos. Nessa onda, os homens começam a usar sua criatividade e inteligência para construir a civilização, desenvolvem processos de escrita, materiais de trabalho e organizam a sociedade, deixando para trás a vida nômade. Surge, então, a relação empregador-empregado, no qual o primeiro passa a usar a mão-de-obra, escrava ou remunerada, para aumentar seus lucros.

A segunda onda seria marcada pela revolução industrial, que alterou o caminho da história do homem.
Neste período ocorreram intensas transformações na área do conhecimento, da tecnologia, das relações comerciais e na definição de um país organizado (Sociedade, Estado e Mercado). Foi no decorrer desta onda que se implantou nos Estados Unidos um sistema democrático republicano, como também, a revolução francesa que derrubou o regime monárquico e abalou para sempre o conceito de poder centrado no sistema de monarquias.

Muitos especialistas confirmam o surgimento da terceira onda durante a segunda guerra mundial, cujas transformações foram ocorrendo numa velocidade espantosa e ainda não se esgotaram.
Nos últimos 50 anos, presenciamos inovações impensáveis há 100 anos, fazendo com que a humanidade em pouco tempo tenha acesso a uma enorme gama de conhecimento e tecnologia. Pois foi no centro deste furacão, lá pela década de 70, que a sociedade civil (o chamado terceiro setor) começou a organizar-se. Logo se percebeu a necessidade de se fazer ouvir pelos outros dois setores: Estado (primeiro setor) e Mercado (segundo setor).

O terceiro setor começou a ser mantido com a colaboração financeira voluntária de indivíduos e empresas que acreditavam na construção de um mundo melhor, e foram percebendo o tamanho da tarefa que deveriam desempenhar.

No Brasil, este movimento começa a organizar-se nos anos 80, na figura de Herbert de Souza, o Betinho, com sua campanha contra a fome, a miséria e pela vida e também pela sua iniciativa de valorizar as empresas comprometidas com a sociedade, através do Balanço Social.

O fortalecimento do terceiro setor e a consciência sobre a necessidade da responsabilidade social provoca uma crítica à atual sociedade. Produz-se tecnologia, riqueza, a globalização permite a troca de conhecimento, já se dispõe de meios de produção necessários para combater a fome e inúmeras doenças, e até então não havíamos acumulado a indignação para enfrentar as questões sociais. A revolução em andamento leva, cada vez mais, a discussões sobre a responsabilidade social, que aponta caminhos de uma nova sociedade, mais justa e igualitária.

A responsabilidade social surge da consciência cidadã, que começa a exigir de todos um compromisso com a erradicação da fome, da miséria, da falta de dignidade humana. Ela expressa-se, primeiramente, no crescimento do voluntariado, pessoas que dedicam parte de seu tempo para colaborar com a diminuição dos problemas sociais.

No Rio Grande do Sul, a Organização Não-Governamental (ONG) Parceiros Voluntários comemora o crescimento do número de pessoas interessadas em participar de seus projetos. O exército de voluntários desta entidade saltou de 5.812 parceiros em maio de 2000 para 10.455 em maio de 2001. A vice-presidente executiva da entidade, Maria Helena Johannpeter, em um artigo publicado em Zero Hora, registra o espírito que move os cidadãos envolvidos neste trabalho ao reproduzir uma citação da Madre Tereza de Calcutá: “quando me perguntam se com minha obra estou mudando o mundo, eu respondo pode ser que não esteja mudando, mas pelo menos estou ajudando a termos um mundo menos ruim”.


No mundo
:

Em 1899, Andrew Carnegie, fundador do conglomerado U.S Steel Corporation, publicou um livro intitulado O Evangelho da Riqueza, que estabeleceu a abordagem clássica da responsabilidade social das grandes empresas. A visão de Carnegie baseava-se nos princípios da caridade e da custódia. Ambos eram francamente paternalistas: o princípio da caridade exigia que os membros mais afortunados da sociedade ajudassem os menos afortunados, e o princípio da custódia, derivado da Bíblia, exigia que as empresas e os ricos se enxergassem como guardiães, ou zeladores, mantendo suas propriedades em custódia, para benefício da sociedade como um todo.

De acordo com Stoner e Freeman (1985), nas décadas de 1950 e 1960, os princípios da caridade e da custódia eram amplamente aceitos nas empresas americanas, à medida que mais e mais companhias passaram a admitir que o poder traz responsabilidade. Até mesmo companhias que não subscreviam esses princípios percebiam que, se não aceitassem as responsabilidades sociais por sua livre vontade, seriam forçadas a aceitá-las por imposição do governo. Muitas acreditavam que reconhecer as responsabilidades sociais era questão de auto-interesse esclarecido.

Porém, um conceito de responsabilidade social proposto por H. R. BOWEN em 1953 inspirou várias idéias novas sobre o tema. BOWEN insistiu que os administradores de empresas tinham o dever moral de “implementar as políticas, tomar as decisões ou seguir as linhas de ação que sejam desejáveis em torno dos objetivos e dos valores de nossa sociedade” (BOWEN apud STONER e FREEMAN, 1985, p. 73). Este conceito, que via as empresas como reflexo dos “objetivos e valores” sociais estava em contraposição com os princípios da caridade e da custódia, que eram especialmente atraentes para os que tinham um interesse oculto em preservar o sistema de livre iniciativa com garantia de liberdade em relação a outras formas de pressão social.

Mas na evolução da idéia de responsabilidade social viveu-se o momento onde estudiosos acreditavam que cabia ao governo, igrejas, sindicatos e organizações não-governamentais o suprimento das necessidades comunitárias através de ações sociais organizadas e não às corporações, que na verdade precisavam satisfazer seus acionistas. Um dos principais proponentes desta idéia é Milton Friedman. De acordo com Friedman:
Há uma, e apenas uma, responsabilidade social das empresas: usar seus recursos e sua energia em atividades destinadas a aumentar seus lucros, contanto que obedeçam as regras do jogo [...] e participem de uma competição aberta e livre, sem enganos e fraudes [...] (FRIEDMAN apud STONER e FREEMAN, 1985, p. 73).

As décadas de 1970 e 1980 chegaram com a preocupação de como e quando a empresa deveria responder sobre suas obrigações sociais. Nestas décadas, a ética empresarial começou a desenvolver-se e consolidou-se como campo de estudo. Filósofos entraram em cena, aplicando teoria ética e análise filosófica, com o objetivo de estruturar a disciplina ética empresarial. Nos Estados Unidos, o escândalo Watergate, no governo Nixon, focalizou o interesse público na importância da ética no governo. Conferências foram convocadas para discutir responsabilidades sociais e questões morais e éticas no mundo dos negócios. Surgiram centros com a missão de estudar estes assuntos. Seminários interdisciplinares reuniram professores de administração de empresas, teólogos, filósofos e empresários.

A doutrina se difundiu pelos países europeus, tanto nos meios empresariais, quanto nos acadêmicos.
Na Alemanha percebeu-se o rápido desenvolvimento do tema, com cerca de 200 das maiores empresas desse país integrando os balanços financeiros aos objetivos sociais. Porém, a França é quem deu o passo oficial na formalização do assunto. Foi o primeiro país a obrigar as empresas a fazerem balanços periódicos de seu desempenho social no tocante à mão-de-obra e às condições de trabalho.
Com uma maior participação de autores na questão da responsabilidade social, o final da década de 1990 apresenta a discussão sobre as questões éticas e morais nas empresas, o que contribui de modo significativo para a definição do papel das organizações.

Em Janeiro de 1999, o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Sr. Kofi Annan, lançou o Compacto Global solicitando aos dirigentes do mundo dos negócios que aplique um conjunto de nove princípios sobre os direitos humanos, trabalhistas e questões ambientais.

No mês de Junho de 2000, os Ministros da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCED) aprovaram uma versão revisada das Diretrizes para Empresas Multinacionais. Esse conjunto de instruções, adotadas em 1976, estabeleceu princípios voluntários e padrões de conduta de responsabilidade corporativa em áreas como meio ambiente, condições de trabalho e direitos humanos. As Diretrizes revisadas cobrem as atividades de empresas multinacionais operando em ou a partir dos 29 países membros da OCED.

Em Julho de 2001, a Comissão das Comunidades Européias (2001), reunida na cidade de Bruxelas, na Bélgica, apresentou à comunidade internacional o “Livro Verde” sobre responsabilidade social com o seguinte título: "Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas". Esta publicação visou lançar um amplo debate quanto às formas de promoção pela União Européia da responsabilidade social das empresas tanto a nível europeu como internacional.

De 31 de janeiro a 5 de fevereiro de 2002, aconteceu o 2º Fórum Social Mundial (FSM) em Porto Alegre (RS). Durante esses seis dias movimentos sociais, Organizações Não-Governamentais e cidadãos de todas as partes do planeta se reuniram para debater problemas, soluções e adotar estratégias comuns. Da globalização e suas conseqüências, passando pela superação da pobreza, a proteção do meio ambiente, os direitos humanos, o acesso à saúde e à educação, a questão cultural e a responsabilidade social - "o Fórum Social Mundial discutiu de tudo e com todos”.


No Brasil
:

No Brasil, a responsabilidade social começa a ser discutida ainda nos anos 60 com a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE). Um dos princípios desta associação baseia-se na aceitação por seus membros de que a empresa, além de produzir bens e serviços, possui a função social que se realiza em nome dos trabalhadores e do bem-estar da comunidade.

Embora a idéia já motivasse discussões, apenas em 1977 mereceu destaque a ponto de ser tema central do 2º Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas. Em 1984, ocorre a publicação do primeiro balanço social de uma empresa brasileira - a Nitrofértil.

No Brasil, o movimento de valorização da responsabilidade social empresarial ganhou forte impulso na década de 90, através da ação de entidades não governamentais, institutos de pesquisa e empresas sensibilizadas para a questão. O trabalho do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) na promoção do balanço social é uma de suas expressões e tem logrado progressiva repercussão. Muitas vezes a história do IBASE se confunde com a trajetória pessoal do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, um de seus fundadores e principal articulador.

Em 1992, o Banco do Estado de São Paulo (BANESPA) publica um relatório completo divulgando todas as suas ações sociais; e a partir de 1993, várias empresas de diferentes setores passam a divulgar o balanço social anualmente.

Ainda no ano de 1993, Herbert de Souza e o IBASE lançam a Campanha Nacional da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida com o apoio do Pensamento Nacional das Bases Empresarias (PNBE). Este é o marco da aproximação dos empresários com as ações sociais.
No ano de 1995, é criado o GIFE, a primeira entidade que genuinamente se preocupou com o tema da filantropia, cidadania e responsabilidade empresarial, adotando, por assim dizer, o termo cidadania empresarial às atividades que as corporações realizassem com vista à melhoria e transformação da sociedade.

Em 1997, Betinho lança uma campanha nacional a favor da divulgação do balanço social e com o apoio de lideranças empresarias, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), do jornal Gazeta Mercantil, de empresas (Banco do Brasil, Usiminas, entre outras); e de suas instituições representativas (Firjan, Abrasca, Abamec, Febraban, etc.); a campanha decolou e suscitou uma série de debates através da mídia e em seminários, encontros e simpósios.

Em novembro de 1997, novamente em parceria com a Gazeta Mercantil, o IBASE lança o Selo do Balanço Social para estimular a participação das companhias. O selo, num primeiro momento, é oferecido a todas as empresas que divulgarem o balanço social no modelo proposto pelo IBASE.

No ano de 1998, Oded Grajew fundou o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. O Instituto serve como ponte entre os empresários e as causas sociais. Seu objetivo é disseminar a prática social através de publicações, experiências vivenciadas, programas e eventos para seus associados e para os interessados em geral, contribuindo para um desenvolvimento social, econômico e ambientalmente sustentável e incentivando a formação de uma nova cultura empresarial baseada na ética, princípios e valores.

Em 1999, a adesão ao movimento social se refletiu com 68 empresas publicando seu balanço social no Brasil. Entre os anos de 1999 e 2001, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)8 realizou a Pesquisa Ação Social das Empresas nas cinco regiões do Brasil, visando conhecer as ações sociais do setor empresarial nacional.

João Sucupira (1999), pesquisador do IBASE, define o balanço social como: "(...) um documento publicado anualmente reunindo um conjunto de informações sobre as atividades desenvolvidas por uma empresa, em promoção humana e social, dirigidas a seus empregados e à comunidade onde está inserida. Através dele a empresa mostra o que faz pelos seus empregados, dependentes e pela população que recebe sua influência direta".

No ano de 2000, para fortalecer o movimento pela responsabilidade social no Brasil, o Instituto Ethos concebeu os Indicadores Ethos como um sistema de avaliação do estágio em que se encontram as práticas de responsabilidade social nas empresas. Além disso, o Ethos vem promovendo, anualmente, a realização da Conferência Nacional de Empresas e Responsabilidade Social no mês de junho em São Paulo. A primeira, realizada em 2000, foi prestigiada por mais de 400 pessoas. Na Conferência de 2001, estiveram presentes 628 pessoas, representando empresas; fundações; ONGs, instituições governamentais, centros de pesquisas e universidades. A Conferência Nacional 2002 terá como tema central a Gestão e o Impacto Social e pretende aprofundar como a gestão socialmente responsável é incorporada nas diversas áreas e atividades das empresas e quais os impactos dessas ações na sociedade.


Tipos de Responsabilidade Social
:

De acordo com o modelo piramidal de Archie Carrol (apud DAFT, 1999, p. 90), a responsabilidade social da empresa pode ser subdividida em quatro tipos: econômica, legal, ética e discricionária (ou filantrópica).
A seguir são apresentados os conceitos referentes a cada uma destas responsabilidades:

Responsabilidade econômica:
Localiza-se na base da pirâmide, pois é o principal tipo de responsabilidade social encontrada nas empresas, sendo os lucros a maior razão pela qual as empresas existem.
Ter responsabilidade econômica significa produzir bens e serviços de que a sociedade necessita, e quer, a um preço que possa garantir a continuação das atividades da empresa, de forma a satisfazer suas obrigações com os investidores e maximizar os lucros para seus proprietários e acionistas.

Responsabilidade legal:
Define o que a sociedade considera importante com respeito ao comportamento adequado da empresa. Ou seja, espera-se das empresas que atendam às metas econômicas dentro da estrutura legal e das exigências legais, que são impostas pelos conselhos locais das cidades,
Assembléias Legislativas estaduais e agências de regulamentação do governo federal.

Responsabilidade ética:
Inclui comportamentos ou atividades que a sociedade espera das empresas, mas que não são necessariamente codificados na lei e podem não servir aos interesses econômicos diretos da empresa. Para serem éticos, os responsáveis pela tomada de decisões das empresas devem agir com eqüidade, justiça e imparcialidade, além de respeitar os direitos individuais.

Responsabilidade discricionária ou filantrópica:


É puramente voluntária e orientada pelo desejo da empresa em fazer uma contribuição social não imposta pela economia, pela lei ou pela ética. “A atividade discricionária inclui: fazer doações a obras beneficentes; contribuir financeiramente para projetos comunitários ou para instituições de caridade que não oferecem retornos para a empresa e nem mesmo são esperados”

“Stakeholders”

Partes interessadas ou impactadas pelo negócio da empresa
:

A importância da incorporação da dimensão social na forma de gerir as empresas está sendo bastante difundida no contexto moderno, e a gestão empresarial que tenha como referência apenas os interesses dos seus sócios e acionistas “shareholdersrevela-se insuficiente no novo contexto.
Segundo Daft (1999), a responsabilidade social de uma empresa deve também considerar todas as relações e práticas existentes entre as chamadas partes interessadas ligadas à organização (stakeholders) e o ambiente as quais pertence.

As partes interessadas ou "stakeholderssão qualquer grupo dentro ou fora da organização que tem interesse no desempenho da organização. Cada parte interessada tem um critério diferente de reação porque tem um interesse diferente na organização.

A responsabilidade social interna focaliza o público-interno da empresa, seus empregados e seus dependentes, ou seja, os beneficiários internos da empresa sem os quais a organização não pode sobreviver. Por outro lado, a responsabilidade social empresarial externa procura atuar na sociedade na qual a empresa está inserida, junto a todos os seus públicos ou beneficiários externos (fornecedores, clientes atuais, potenciais clientes, opinião pública, governo, sociedade, etc.) e, conseqüentemente, a empresa obtém maior visibilidade e admiração frente a públicos relevantes para sua atuação.

As relações construídas com os públicos interno e externo, de forma a satisfazer as suas necessidades e interesses, gerando valor para todos, asseguraram a sustentabilidade a longo prazo dos negócios, por estarem sincronizadas com as novas dinâmicas que afetam a sociedade e o mundo empresarial. Este envolvimento da organização na prática da responsabilidade social gera sinergias, precisamente com os públicos dos quais a empresa depende, fortalecendo o seu desempenho global. Uma empresa adquire o “status” de empresa-cidadã, quando atua em ambas as dimensões (responsabilidade empresarial interna e externa).

A responsabilidade social da empresa está estritamente ligada ao tipo de relacionamento desta com os seus interlocutores. A natureza desta relação vai depender muito das políticas, valores, cultura e, sobretudo da visão estratégica que prevalecem no centro da organização e no atendimento a essas expectativas.

Assim sendo, um sistema de avaliação do estágio em que se encontram as práticas de responsabilidade social nas empresas e o grau de comprometimento destas com as ações sociais deve levar em conta os efeitos de suas ações sobre todas as partes interessadas. Como forma de explorar esta análise apresentaremos, a seguir, algumas das responsabilidades sociais que uma gestão empresarial deve considerar nas relações com as chamadas partes interessadas (stakeholders).

Acionistas:
A gestão tem, perante os acionistas, a responsabilidade de utilizar os recursos do negócio comprometendo-se com atividades desenvolvidas para aumentar os seus lucros, dentro das restrições legais impostas pela sociedade, além de revelar, totalmente e com exatidão, a utilização dos recursos da empresa e os resultados dessa utilização. O direito fundamental de um acionista não é apenas ter garantido um lucro, mas também a informação que possa suportar uma decisão de investimento prudente.

Empregados:
A gestão pode limitar-se a assumir o mínimo de responsabilidades para com os empregados, respeitando apenas as obrigações legais relativas à relação empregado-empregador. Entretanto, uma empresa socialmente responsável deve ir além do simples cumprimento das leis trabalhistas, procurando alinhar os seus objetivos estratégicos aos interesses dos seus funcionários. A responsabilidade social com seu público interno possibilita a criação, na empresa, de um ambiente de trabalho saudável, que resulta em maior produtividade, comprometimento e motivação.

Fornecedores:
As empresas socialmente responsáveis devem utilizar critérios de comprometimento social e ambiental na hora de selecionar seus parceiros e fornecedores, considerando, por exemplo, o código de conduta destes em questões como relações com os trabalhadores ou com o meio ambiente. Os valores do código de conduta da empresa devem ser difundidos por toda a sua cadeia de fornecedores, empresas parceiras e terceirizadas, buscando disseminar valores e contratar ou interagir com empregados terceirizados que valorizem os mesmos conceitos sociais que os seus funcionários.

Clientes:
A questão da responsabilidade social perante os clientes está relativamente bem definida num aspecto (por exemplo, nas leis específicas que definem a segurança do produto) e mantém-se bastante fluida noutro (por exemplo, nas expectativas gerais quanto à relação qualidade-preço). Muitas empresas já optam por assumir as suas responsabilidades para com os clientes, respondendo prontamente às reclamações, fornecendo informação completa e exata sobre o produto, implementando campanhas de publicidade absolutamente verdadeiras quanto ao desempenho do produto e assumindo um papel ativo no desenvolvimento de produtos que respondam às preocupações sociais dos clientes.

Comunidade:
Assim como a comunidade na qual as empresas estão inseridas oferecem recursos para as empresas, como os empregados, parceiros e fornecedores, que tornam possível a execução das suas atividades corporativas, o investimento na comunidade, através da participação em projetos sociais promovidos por organizações comunitárias e ONGs, além de uma retribuição, é uma própria maneira de melhorar o desenvolvimento interno e externo.

Governo e Sociedade:
A empresa deve relacionar-se de forma ética e responsável com os poderes públicos, cumprindo as leis e mantendo interações dinâmicas com seus representantes, visando a constante melhoria das condições sociais e políticas do país. O comportamento ético pressupõe que as relações entre a empresa e governos sejam transparentes para a sociedade, acionistas, empregados, clientes, fornecedores e distribuidores. Cabe à empresa manter uma atuação política coerente com seus princípios éticos e que evidencie seu alinhamento com os interesses da sociedade. A empresa ambientalmente responsável investe em tecnologias antipoluentes, recicla produtos e lixo gerado, implanta "auditoria verdes", cria áreas verdes, mantém um relacionamento ético com os órgãos de fiscalização, executa um programa interno de educação ambiental, diminui ao máximo o impacto dos resíduos da produção no ambiente, é responsável pelo ciclo de vida de seus produtos e serviços e dissemina para a cadeia produtiva estas práticas relativas ao meio ambiente.

Concorrentes:
Para ser considerada socialmente responsável no aspecto da concorrência a empresa deve evitar práticas monopolistas e oligopolistas, “dumpings” e formação de trustes e cartéis, buscando sempre fortalecer a livre concorrência de mercado.

Referências bibliográficas
:
A Força do Voluntariado, Zero Hora, 04.07.2001
BUSATTO, Cézar. Responsabilidade Social: revisão do nosso tempo. Porto Alegre: Corag, 2001.
DAFT, Richard L. Administração. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.
Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social – ETHOS.
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – IBASE.
STONER, James A. F.; FREEMAN, R. Edward. Administração. ed. Rio de Janeiro: Prentice – Hall do Brasil.
Site na Internet: trabalho de conclusão, sem identificação do autor.

 


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